sábado, 23 de fevereiro de 2008

Please forgive my blues


Eu parei de cantar porque tive que tirar da minha vida meus sonhos, ilusões e loucuras. E esse foi com certeza o dia mais infeliz de todos. Porque foi ali que eu deixei de acreditar em mim também, que tive que me despedir da força do som que saía não só do meu coração, mas de todo o meu corpo. Das melodias que tocavam todos os poros, das vozes múltiplas, afinadas, lindas... que se transformavam naquela transcendência que fazia o mundo parecer valer a pena. As músicas, que fazem os corações se apaixonarem perdidamente mas que também apunhalam quando traduzem as dores humanas. As dores de amor.

O meu silêncio desde então é de medo de nunca vir a ser. De ser um castelo de cartas que desmorona com qualquer tremor. E a terra não é firme. Nunca será? E a correnteza estava mesmo para o lado errado naquele dia. Era provavelmente o vento, dizendo para o rio não ir para o mar. Mas ele, mais forte e mais profundo, deixou-se levar paciente e superficialmente até poder voltar para seu curso. Hoje, parece que está. Calmo e sereno continua correndo para desaparecer na imensidão das águas salgadas. Mas eu... eu continuo nadando contra a correnteza, e tenho muito medo de não conseguir mais nadar. Não consigo me transformar em peixe, e continuo sem saber o que eles fazem: se se deixam levar, se cansam, se se deixam morrer.

Eu fujo agora de músicas felizes, mas eu sei que elas me esperam para quando eu estiver pronta.

Um comentário:

Melissa Mota disse...

Dani, Estava aqui arrumando meus 'favoritos' e entrei aqui...
Às vezes acontecem coisas assim... coisas que nos fazem parar de cantar e nos fazem infelizes.
Medo. 'Medo de nunca vir a ser'... Também tenho medo... Medo de estar vivendo uma vida que não era para ser a minha vida. Será que isso é possível? Será que nós podemos estar vivendo uma vida que não devia ser nossa?! Será que a nossa vida seria diferente ou poderia vir a ser diferente? Questions, questions....
Ahhh, as dores do amor! E quantos espinhos já tive que arrancar do meu coração para continuar vivendo e me sentindo VIVA!
Mas, sem os espinhos, será que a gente poderia ser feliz completamente? Será que alguém pode ser feliz completamente?!? Não, né!? A gente já teve essa conversa.
- Quem é feliz completamente levante a mão!!!!!!!
E ninguém levantou...
Mas a vida é boa sim. Só não sei se vale pena a gente ficar se perguntando se é feliz ou não. A fecilidade existe? Como ela é?
Agora fiquei lembrando do relato de um viajante do século XVII que meu pai conta pra mim desde que sou pequena... O viajante (esqueci o nome, mas vou perguntar pra ele depois) chega ao Brasil, encontra uma tribo de índios e pergunta a um deles:
- Você é feliz?
E o índio responde:
- O que é 'feliz'?

Que as músicas alegres preencham sempre todos os nossos poros....