terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Despedidas

Em clima de despedida, do ano, e do lugar...
Em breve deixaremos de vez a terra de Maria Bonita.
E antes tarde do que nunca fui visitar a cidade dos seus algozes. E da narrativa orgulhosa pela coragem necessária para exterminá-los. Como se bastasse, ou como se pudesse.

Terra linda, no entanto e, no momento, seca. Parada no tempo, congelada no espaço. Mas pessoas circulam, e são fascinantes. Sol impiedoso, mas águas transparentes e refrescantes.

E o sertão só me fez admirar ainda mais a beleza do azul, a dureza do amarelo, e a coragem do povo que consegue nele viver. E dos bichos e plantas.





Um novo ano de esperanças!
Como a que deve trazer, todos os anos, a promessa de dias de chuva.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Tum-tum

Posts suspensos por absoluta falta de energia.
Tudo canalizado para o serzinho que cresce sem parar aqui dentro.
E, o pouco -bem pouco - que sobra, para terminar a maledetta...

Mas queria contar que ontem ouvimos bater o coraçãozinho...
Tum tum tum tum tum, muito rápido, mas forte, contundente.
Papai está achando que vai ser baterista... rs...
Devo dizer que o pequeno (ou a pequena) surpreendeu a médica - que resolveu colocar o sonar só por "desencargo", porque com dez semanas, segundo ela, ainda não era para dar para ouvir.
Presentão de Natal!

Aliás, aproveito para deixar o meu beijo de boas festas... com gosto do sal do marzão azul e do sol de rachar o côco.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Maria

Eu ganhei da vida o maior presente, que é outra vida

Da minha sincronia com a lua, da busca difícil pela saúde e pela paz no coração
Desse lugar maravilhoso, que me presenteia com a ternura dos verdes e dos azuis
Das noites quentes de lua cheia aos dias discretos e reclusos de nova

Da recusa em seguir os pessimistas, tecnocratas da vida
Da ruptura com aquilo que eu não quero e que não me serve
E da jornada que tem sido conhecer a mim mesma

Mas principalmente do meu amor
E dessa fortaleza arenosa que são os nossos dias
Nasce essa criaturazinha, tão desejada e já tão amada

Que me dá a esperança de reconstruir o mundo todo, desde o começo

Este é da vida o maior presente, que nós ganhamos, nós e vocês... uma outra vida

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Don't ask

Life is what happens
While you're busy writing your thesis

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mulher ao Espelho

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
Já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Cecília Meireles
MAR ABSOLUTO - 1945.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Saudad's

Ai, q' hoje me bateu umas saudad's da t'rrinha, o pá!

Lisbon revisited (1926)
Álvaro de Campos

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...


domingo, 12 de outubro de 2008

Viagens, e a volta

Cosmonauta soviético Serguei Krikaliov, apaixonado pelo cheiro do universo, responde ao jornalista sobre onde se sente mais feliz: se na Terra, se no espaço, no vôo para o espaço:

"Na Terra, imediatamente depois de um vôo. Não há nada mais belo."

Matéria do Mais!